A reconstrução do pós-guerra e as conferências de paz

A reconstrução do pós-guerra enfrentou enormes perdas humanas e tremendas destruições materiais. A guerra fizera cerca de 60 milhões de mortos, entre militares e civis.

O elevado número de perdas civis deveu-se quer aos bombardeamentos de cidades, às deportações, ao genocídio de 6 milhões de judeus, quer ao aumento da mortalidade devida à escassez de alimentos e ao aumento de doenças, como foi o caso da tuberculose.

As perdas materiais dos países beligerantes, com exceção dos EUA, foram também elevadas. A natureza das destruições variava. A guerra destruíra mais os edifícios, os portos, as vias e meios de comunicação, alvos de ataques, do que o potencial produtivo. As fábricas foram as menos atingidas, porque estavam dispersas e protegidas pela defesa antiaérea. Variava também o grau de destruição dos países beligerantes: os países mais afastados das zonas de combate foram mais poupados. Na Europa, a parte central e oriental fora mais atingida.

As Conferências de Paz

Ainda o fim da Segunda Guerra Mundial estava longe de todas as previsões, já as forças democráticas ocidentais representadas pela Inglaterra e pelos EUA, revelavam as suas preocupações relativamente à reconstituição do mundo, perante os sinais evidenciados por Estaline que denunciavam a sua vontade em integrar os Estados Bálticos, a Bessarábia e parte da Polónia, na União Soviética.

Na realidade, em 1943, ainda em pleno decurso do conflito, já as forças aliadas admitiam que a derrota do Eixo era uma questão de tempo, tal era a evidência do potencial bélico envolvido e os sinais de fragilidade evidenciados pela Alemanha

A Conferência de Teerão

Por isso, nos finais de 1943, em Teerão (capital do Irão), realizou-se uma das mais importantes cimeiras dos Aliados, onde Estaline, Roosevelt e Churchill decidiram a estratégia militar a empreender para libertar a França do domínio nazi, o futuro desmembramento da Alemanha e formularam o propósito de preparar uma paz duradoira, no âmbito de uma organização internacional onde colaborassem todas as nações.

A Conferência de Ialta

Em fevereiro de 1945, numa altura em que já se dava como iminente o fim da guerra no Ocidente, realizou-se em Ialta, na Crimeia (atual Ucrânia), a mais importante de todas as cimeiras pelos reflexos que as suas conclusões vieram a ter no pós-guerra. Entre outras decisões foi confirmado:

  • a divisão da Alemanha em quatro zonas de ocupação, tuteladas pelos comandantes militares dos EUA, da Inglaterra, da URSS e da França e coordenadas por um Conselho de Controlo constituídos pelos respetivos comandantes-em-chefe;
  • a realização de uma Conferência em S. Francisco (EUA) para aprovar a Carta da Nações Unidas e delinear as diretrizes essenciais da futura ONU;
  • a fixação das fronteiras da Polónia com integração na URSS de territórios a leste, reclamados por Estaline;
  • a redefinição das fronteiras dos territórios ocupados pelos exércitos nazis, após a sua libertação;
  • a celebração de eleições livres nesses mesmos territórios, supervisionadas pelas potências vencedoras;
  • a divisão da Coreia em duas zonas de influência – o Norte, da URSS, e o Sul, dos EUA.

    Churchill, Roosevelt e Estaline na Conferência de Ialta

A Conferência de Potsdam

Realizou-se em julho de 1945, logo a seguir à capitulação de Hitler. Nesta foram confirmadas as deliberações tomadas em Ialta e tomadas novas medidas relativamente à Alemanha, na condição de derrotada, nomeadamente:

  • a “desnazificação” com a extinção do partido nazi e julgamento dos criminosos de guerra, para o que foi criado o Tribunal Internacional de Nuremberga;
  • a desmilitarização e destruição das indústrias bélicas alemãs;
  • o valor das indemnizações de guerra a pagar pela Alemanha aos Aliados;
  • a confirmação da divisão da Alemanha, aplicando-se o mesmo modelo à Áustria;
  • a definição de um estatuto especial para Berlim, a capital da Alemanha, que, por força da divisão do território, ficou encravada na área de influência soviética. Berlim veio a ser também dividida em quatro zonas de ocupação (norte-americana, soviética, inglesa e francesa);
  • a confirmação de novas fronteiras e a redefinição do mapa político da Europa, sobretudo da Europa Central e de Leste, com prejuízo para os antigos Estados satélites da Alemanha e claro benefício para a URSS.

    Nesta conferência estiveram presentes Harry Truman, pelos EUA (sucessor de Roosevelt, que entretanto falecera), Churchill, pela Inglaterra (substituído no final da conferência por Clement Attlee, novo primeiro-ministro inglês) e Estaline, pela URSS.

     Em 1947 realizaram-se os tratados de paz, em Paris, nos quais se aprovaram as resoluções de Ialta e Potsdam e se definiu o novo mapa político da Europa.

     

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