O funcionalismo arquitetónico

A primeira metade do século XX conheceu uma das maiores revoluções na arquitetura e no urbanismo – o nascimento do Funcionalismo.

A Segunda Revolução Industrial, no século XIX, abriu caminho à inovação, introduzindo nos edifícios fabris o ferro, o aço, o betão e o vidro em larga escala e chamando a atenção para a necessidade de construir habitações operárias de qualidade.

Daí até à nova conceptualização dos edifícios de habitação e, em última análise, de toda a cidade, deram-se passos importantes: em 1919, Walter Gropius fundou a Bauhaus, na Alemanha. Tratava-se de uma escola que propunha a fusão da arquitetura com a escultura, a pintura, as artes aplicadas e o artesanato; aí se estudou exaustivamente a relação entre a forma e a função na produção de diversos objetos e nos edifícios arquitetónicos.

Da reflexão sobre a forma e a função nasce a arquitetura moderna, sob o paradigma funcionalista. O arquiteto francês Le Corbusier defendeu o Funcionalismo (ou Racionalismo) com base nos seguintes princípios:

  1. Sentido prático dos espaços (“ter uma casa prática como uma máquina de escrever”).
  2. Volume simples da casa (o que pressupõe a redução das construções a sólidos geométricos como o cubo e o paralelepípedo, que dão forma à maioria das construções).
  3. Eliminação dos elementos puramente decorativos (o branco, por exemplo, é a cor dominante em paredes lisas).
  4.  Janelas rasgadas de grandes dimensões, graças ao uso de betão armado (“janelas semelhantes às das fábricas”).
  5. Coberturas em terraço (“viver numa casa sem telhado pontiagudo”).
  6. Colunas que parecem sustentarem o edifício (o que permite o aproveitamento do espaço sobre o qual a casa parece suspensa).
  7. Flexibilidade no uso dos espaços interiores.

A organização racional da cidade também mereceu a atenção de Le Corbusier e de outros arquitetos e urbanistas funcionalistas. O documento fundamental que exprime os princípios da cidade funcionalista é a Carta de Atenas, de 1933. Aí se defende que “o urbanismo tem quatro funções”:   

  1. assegurar “moradias saudáveis”, com “espaço, ar puro e sol”;
  2. “organizar os locais de trabalho”;
  3. criar condições para a “boa utilização das horas livres”;
  4. criar uma “rede circulatória”.

 O FUNCIONALISMO ORGANICISTA

A Casa Kaufman, mais conhecida por Casa da Cascata (em inglês Falling Water), 1936, em Bear Run, Pensilvânia constitui uma das mais famosas casas do mundo. O edifício é da autoria do arquiteto Frank Lloyd Wright, considerado o introdutor da arquitetura moderna nos EUA.

O seu proprietário era um homem de negócios Edgar Kaufmann, cujo filho Edgar Jr. fora aluno de arquitetura de Wright. A casa foi construída no meio dum bosque, no interior duma propriedade da família, sobre uma pequena queda de água, servindo-se dos elementos naturais ali presentes. Originalmente utilizada como residência de veraneio da família, é hoje um museu.

Ao contrário dos primeiros funcionalistas que começavam a projetar um invólucro rígido que depois dividiam internamente, Wright procurou conceber a casa a partir do interior. Delimitam-se primeiro os espaços pretendidos, que se revestem, depois, com a estrutura exterior. A casa nasce como um organismo vivo, em que cada parte é indissociável do todo, isto é, na sua construção o edifício cresce em harmonia com o ambiente natural em que se insere. É também uma casa funcional, à medida do Homem, só que, agora, a escala, além de física é também espiritual.

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2 respostas a O funcionalismo arquitetónico

  1. olá, voce pode me dar a referemcia desse trecho ? “Da reflexão sobre a forma e a função nasce a arquitetura moderna, sob o paradigma funcionalista. O arquiteto francês Le Corbusier defendeu o Funcionalismo (ou Racionalismo) com base nos seguintes princípios:

    1. Sentido prático dos espaços (“ter uma casa prática como uma máquina de escrever”).
    2. Volume simples da casa (o que pressupõe a redução das construções a sólidos geométricos como o cubo e o paralelepípedo, que dão forma à maioria das construções).
    3. Eliminação dos elementos puramente decorativos (o branco, por exemplo, é a cor dominante em paredes lisas).
    4. Janelas rasgadas de grandes dimensões, graças ao uso de betão armado (“janelas semelhantes às das fábricas”).
    5. Coberturas em terraço (“viver numa casa sem telhado pontiagudo”).
    6. Colunas que parecem sustentarem o edifício (o que permite o aproveitamento do espaço sobre o qual a casa parece suspensa).
    7. Flexibilidade no uso dos espaços interiores.”

    obrigada🙂

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