O PRIMEIRO CONFLITO ISRAELO-ÁRABE

 

A evolução do Estado de Israel (1947-2005)

Em 1914, a Palestina era um território do Império Otomano e contava com cerca de 700 mil habitantes, dos quais perto de 85 mil eram judeus. Em 1920, depois da Grã-Bretanha ter conquistado a Palestina aos otomanos, os britânicos receberam o mandato da Liga das Nações para administrar o território. Durante o primeiro conflito mundial, a Grã-Bretanha prometeu aos árabes a independência da península em troca da ajuda na guerra. No entanto, em 1917, Arthur James Balfour (Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico) declara que o «governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um espaço nacional para o povo judeu (…) deixando claro que nada será feito contra os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina, ou contra os direitos e estatuto político dos judeus que habitam outros países». Este compromisso do governo inglês dá um grande impulso às pretensões do movimento sionista – movimento nascido nos finais do século XIX, sob o impulso de Teodoro Herzl, com o objetivo de criar um Estado judaico na Palestina (identificada pelo vocábulo Sião) reconhecido pela comunidade internacional. O sionismo defende o regresso dos judeus espalhados pelo Mundo à Palestina e seria responsável pelo crescente movimento migratório para aquela região desde os finais do século XIX. Da Rússia, da Alemanha e da Polónia partiram entre as duas guerras, os judeus mais jovens para fugir à crise económica e às tensões sociais e políticas que afetavam estes países. Deste modo, nos finais da Segunda Guerra Mundial, a população judaica da Palestina representava já cerca de um terço da população total da Palestina e reclamava a criação do Estado judaico. A população árabe protestava contra a imigração judaica consentida pelos ingleses, a venda aos judeus de terrenos pertencentes aos árabes e recusava qualquer projeto de criação de um Estado judaico na região, recorrendo a ações terroristas. As organizações judaicas responderam, também, com violência.

 A comissão britânica de pacificação da Palestina propôs a partilha do território, em 1937, ano difícil para os judeus da Europa, perseguidos pelo antissemitismo nazi. Em 1939, a Inglaterra publica o Livro Branco com os princípios orientadores da sua nova política para a Palestina: diminuição da imigração judaica que, no futuro, ficaria sujeita ao consentimento dos árabes. Perante a garantia da constituição de um estado palestiniano de maioria árabe, os judeus sentiram-se traídos e endureceram as suas posições incentivando a imigração clandestina que se processou durante e depois da guerra. Em 1942, o movimento sionista condena o Livro Branco e exige o estabelecimento de um Estado judaico na Palestina. A derrota da Alemanha provoca uma nova onda de emigração para a Palestina protagonizada pelos judeus que sobreviveram ao holocausto.

 O território, maioritariamente ocupado por árabes e sob administração britânica até 1947, foi nessa data colocada sob tutela direta da ONU, que traçou o plano da sua divisão em dois estados: um árabe (que nunca chegou a constituir-se) e outro judaico, mantendo Jerusalém sob controlo internacional. O projeto contou com a viva oposição dos países árabes, que não aceitavam o enclave judaico encravado em territórios predominantemente islâmicos, o que não impediu a proclamação da criação do Estado de Israel (14 de maio de 1948), reconhecido de imediato pelos EUA e pouco depois pela URSS. Como resposta a Liga dos Estados Árabes (Egito, Iraque, Síria, Líbano e Jordânia) reagiu, atacando Israel, dando início ao primeiro conflito israelo-árabe. Oito meses mais tarde, um armistício marca a derrota dos estados árabes, mas não traz a paz à região. No fim desta primeira guerra o Estado de Israel engrandeceu-se: 150 mil palestinianos permaneceram em Israel, outros refugiaram-se na Cisjordânia e na faixa de Gaza. O Egito ocupou a faixa de Gaza e a Jordânia encarregou-se da administração da Cisjordânia e da Transjordânia. Israel alargou o seu território ocupando Jerusalém, o Golã e o Sinai.

 A população palestiniana árabe massacrada pela violência da guerra refugia-se em grande número nos países árabes vizinhos. Em 1949, mais de meio milhão de fugitivos amontoava-se em campos de refugiados. Israel, apesar das pressões da ONU, não autorizou nas décadas seguintes o regresso dos mesmos. Pelo contrário, privou-os da cidadania e confiscou os seus bens. Os Estados árabes, por sua vez, não facilitaram, com poucas exceções, a integração dos palestinianos. Os refugiados organizam-se (a FATAH, em 1958, a OLP, em 1964) e desencadeiam um movimento de guerrilha com o objetivo de destruir Israel. A convivência entre judeus e palestinianos no interior de Israel revelou-se cada vez mais difícil e as tensões internacionais na região agudizaram-se. O apoio dos EUA a Israel e da URSS aos países árabes transformou o conflito israelo-árabe num dos principais focos da guerra fria. Três outras guerras e um sem número de episódios violentos ensombram, até hoje, as relações entre os dois povos.

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