O “triângulo” financeiro

«O estabelecimento do “triângulo” financeiro fora um dos elementos-chave da estabilização da Europa: os bancos norte-americanos emprestavam dinheiro à Alemanha e esta podia assim pagar as anuidades das reparações que devia  – o que permitia à França reembolsar os Estados Unidos das suas dívidas de guerra. Se acrescentarmos que o défice do comércio dos países europeus só podia ser compensado por meio de outros empréstimos americanos, compreender-se-á que todo o equilíbrio económico do Mundo e, portanto, da Europa se baseava no constante fluxo de capitais entre os Estados Unidos e a Europa. A principal corrente desse fluxo circulava entre Nova Iorque e Berlim. Entre 1924 e 1929, a Alemanha recebeu perto de 2,5 mil milhões de dólares provenientes dos Estados Unidos, mais uma soma equivalente, emprestada pela Grã-Bretanha, a Suíça e a Holanda.»

Jean Carpentier e François Lebrun (dir.), História da Europa, Ed. Estampa
  • Explique, recorrendo ao documento, a hegemonia dos EUA sobre a Europa no período pós-1.ª Guerra Mundial.

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3 respostas a O “triângulo” financeiro

  1. cátia barreiros diz:

    Os EUA conseguiram ascender a primeira potência económica do Mundo no pós-1ª Guerra Mundial. Se anteriormente eram devedores da Europa, agora, passaram a credores. Tendo participado mais tardiamente na guerra (a partir de 1917) e sido poupados das destruições no seu território e de baixas civis conseguiram tornar-se fornecedores de bens e serviços dos países beligerantes. Além do mais, os EUA possuíam metade do stock mundial de ouro, apresentando em 1919 uma imagem de sucesso.
    Empobrecidos pela guerra, a maior parte dos países europeus viu-se a braços com a difícil reconstrução e recuperação económica, o que os levou a contrair avultados empréstimos e a endividarem-se. Assim, e de acordo com o documento, os EUA “emprestavam dinheiro à Alemanha”, possibilitando aos alemães pagarem as reparações de guerra à França e à Inglaterra, estas, por sua vez, pagavam as dívidas contraídas aos EUA. A isto se chama o triângulo financeiro do pós-1ª Guerra Mundial, considerado pelos autores do documento o elemento-chave da estabilização europeia.
    Acresce que “o défice do comércio dos países europeus” face aos EUA era também “compensado por meio de outros empréstimos americanos”.
    Para concluir, podemos falar numa dependência europeia face aos EUA, dado que a recuperação económica e financeira do velho continente assentou nos créditos concedidos pelos americanos.

  2. Susana Silva diz:

    No período pós-Primeira Guerra Mundial, os EUA passaram de devedores a credores da Europa. Os países europeus tornaram-se dependentes dos EUA durante e após o conflito, uma vez que os norte-americanos forneciam-lhes bens e serviços. No pós-guerra, estes últimos estavam em condições de emprestar avultadas quantias aos países europeus, que, destroçados, necessitavam de capitais para a sua reconstrução e recuperação económica. Ora, em 1919, os EUA eram detentores de uma imagem de sucesso: possuíam metade do ouro mundial e registaram um crescimento industrial acentuado (enquanto na França e na Alemanha houve uma queda desses índices). Para além disso, na Europa, os cidadãos sofreram com a inflação. A procura elevada de bens de consumo, a escassa quantidade de produtos disponíveis e a emissão de papel-moeda, desproporcional à quantidade de reservas de metal precioso, levaram a este fenómeno que afetou a confiança dos consumidores europeus.
    Em 1920-1921, os EUA sofreram uma crise que se caracterizou pela acumulação de stocks, devido à diminuição da procura externa (principalmente por parte da Europa), e que levou à baixa de preços, originando a falência de empresas e, consequentemente, o aumento do desemprego. Para se reerguerem, foram tomadas medidas que permitiram rentabilizar a produtividade (implementação do taylorismo, fordismo e a estandardização) e subiram-se os salários, de forma a incentivar o consumo. Também se assistiu ao aumento da concentração das empresas. Após estas medidas, os EUA saíram dessa crise e verificou-se um crescimento considerável da produção entre 1923 e 1929, sendo este período considerado a “era da prosperidade”. Porém, e apesar deste sentimento de confiança que se vivia, os EUA tinham consciência de que o declínio financeiro e económico, que se vivia na Europa, poderia afetar a sua economia (por causa das ligações comerciais existentes com esses países). Assim sendo, para revitalizar a economia europeia, os EUA decidiram injetar capitais, gerando o chamado “triângulo financeiro”, o qual é explicado no documento como “um dos elementos-chave da estabilização” da economia europeia e que consistia no empréstimo, por parte dos EUA, de capitais à Inglaterra e Alemanha, permitindo que os Alemães pagassem as reparações de guerra à França e à Inglaterra que, por sua vez e de acordo com o documento, completariam “o triângulo financeiro” ao pagarem as dívidas que tinham contraído aos EUA.
    Segundo os autores do documento, foi este constante fluxo de dinheiro que equilibrou a economia do mundo, mas por outro lado, acentuou ainda mais a dependência da Europa face aos EUA, que se tornaram a maior potência económica do Mundo.

    Susana Silva, 12.º M, N.º27

  3. Mariana Reis diz:

    Se, na primeira década do século XX, a Europa ainda podia ostentar, orgulhosamente, a sua hegemonia industrial e financeira, a partir de 1914 passou uma irreversível situação de dependência em relação aos EUA. A Europa, ao longo da Primeira Guerra Mundial, foi o principal palco das destruições, com perdas humanas, materiais, uma inflação crescente e o agravamento do défice para com o estrangeiro. Já os EUA estiveram afastados do teatro de operações no decurso da guerra, o que lhes permitiu ser o fornecedor das principais potências europeias ao longo da Grande Guerra.
    Os EUA, que durante a guerra forneceram à Europa matérias-primas, alimentos e armas (através do sistema de crediário: “compre agora e pague depois da guerra”), passam a contar, no fim do conflito, com um excelente (e garantido) mercado para continuarem a colocar, não só bens de primeira necessidade, como investimentos e financiamentos para que a Europa inicia a sua reconstrução. “O défice do comércio dos países europeus só podia ser compensado por meio de outros empréstimos americanos”. Esses empréstimos americanos, altamente rentabilizados na Europa, acabam por regressar aos EUA na forma de pagamentos de débitos contraídos: criou-se um triângulo financeiro no qual os EUA emprestavam dinheiro à Alemanha para que esta pudesse pagar as dívidas de recuperação de guerra à França e à Inglaterra, as quais, por sua vez, pagavam então as suas dividas aos EUA. O dinheiro saía e voltava a entrar nos EUA. Deste modo, “o estabelecimento do “triângulo” financeiro fora um dos elementos-chave da estabilização da Europa”.
    Assim, no início dos anos 20, cerca de metade dos stocks mundiais de ouro concentravam-se nos Estados Unidos. Estes passaram de devedores a credores da Europa: Nova Iorque substituía Londres como principal centro financeiro do Mundo.
    Enquanto a Europa se erguia com grande dificuldade dos escombros da guerra, os EUA aproveitavam-se dessa situação e intensificavam o seu desenvolvimento industrial e comercial às custas das necessidades europeias.

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