A vaga de autoritarismos dos anos 20Karl_Rosa

Após a Primeira Guerra Mundial, as populações da Europa aderiram a projetos políticos extremistas, quer de extrema-direita, quer de extrema-esquerda.

Por um lado, a vitória dos bolcheviques na URSS serviu de exemplo a diversos levantamentos revolucionários na Europa, uma vez que provou a possibilidade de o proletariado se tornar a classe dominante. Entre as principais revoluções de esquerda, salientaram-se, apesar de fracassadas, o espartaquismo, em Berlim, em 1918, liderado por Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht, e as revoltas dos camponeses sem terras e de operários em Itália, em 1919-1920.

Por outro lado, os movimentos de extrema-direita ganharam apoios em vários países da Europa, destacando-se, nomeadamente: o fascismo, vitorioso na Itália, desde 1922, quando Benito Mussolini demonstrou a força social dos camisas negras na Marcha sobre Roma; o golpe de Estado (putsh), perpetrado por Hitler, em 1923 e a ditadura do general Primo Rivera, em Espanha, entre 1923 e 1930.

A tentação do povo pelos autoritarismos de extrema – direita deve ser contextualizada no âmbito da devastação que a Grande Guerra provocou sobre a Europa, a vários níveis:

  • a inflação atingiu numerosos países (alguns, como a Alemanha, a Áustria e Portugal, de forma muito severa), o que se traduziu por dificuldades de subsistência da maioria da população;
  • a agitação social era constante – vagas grevistas e manifestações perturbavam a produtividade económica;
  • as constantes lutas partidárias nas democracias liberais provocaram o descrédito do povo em relação ao valor dos sistemas parlamentares;
  • os resultados visíveis da guerra – cerca de 10 milhões de mortos e 20 milhões de inválidos, a desorganização financeira, a instabilidade política – desiludiram as populações que já não acreditavam no espírito dos “14 pontos” do presidente Wilson;
  • por último, o medo do bolchevismo e dos seus ataques à propriedade privada pode explicar o apoio das classes médias e altas à ideologia fascista.

O antibolchevismo cresceu à medida que, na Rússia, o socialismo tomava uma feição mais dura, em consequência das decisões tomadas em 1919 durante a III Internacional Comunista (Komintern). Nesta internacional proclamou-se o modelo da Rússia como único a seguir pelos restantes países e rompeu-se com todas as ideologias reformistas, instituindo-se, abertamente, a prática das depurações (perseguições a membros do Estado ou do Partido Comunista com o objetivo de tornar mais “pura” a prática do marxismo-leninismo).

In Guia de Estudo História A 12, Porto Editora, 2010
Link | Esta entrada foi publicada em Materiais didáticos com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s